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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Bienal do Livro teve mais de 600 mil visitantes e 4 milhões de livros vendidos

Foto de livro criticado por Crivella na Bienal do Rio  — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
A 19ª edição da Bienal do Livro do Rio de Janeiro chegou ao fim neste último domingo (8) com público de mais de 600 mil pessoas. Ao todo, foram vendidos no Riocentro, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, durante os dez dias de feira literária, mais de 4 milhões de livros.

Na edição anterior do evento, em 2017, com 11 dias de feira, foram 3,6 milhões de livros vendidos e público de 680 mil pessoas, segundo informações da Agência Brasil.

Além de uma média de vendas maior que na última edição da bienal, o evento deste ano ficou marcado com o debate sobre a censura de publicações. Isto porque, na última quinta-feira (5), o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, determinou o recolhimento de exemplares do romance gráfico "Vingadores, a cruzada das crianças" (Salvat), que tem a imagem de um beijo entre dois personagens masculinos.

O autor Laurentino Gomes classificou esta como a melhor Bienal dos últimos anos e falou sobre a ação da prefeitura.
Público faz beijaço na Bienal do Rio — Foto: Reprodução/TV Globo

Na tarde da sexta-feira (6), os agentes públicos buscaram outras publicações que, segundo o prefeito, seriam "impróprias" para crianças e adolescentes. No fim do dia, a Seop divulgou nota informando que "não encontrou material em desacordo às normas do Estatuto da Criança e do Adolescente".
Arena Sem Filtro, espaço de debates para o público jovem da Bienal do Livro — Foto: Divulgação

Debate na Justiça

A organização da Bienal do Livro recorreu à Justiça para garantir o "pleno funcionamento do evento". Ainda na sexta, um desembargador concedeu uma liminar em favor da feira.
Em uma nova decisão, o TJ-RJ voltou a permitir o recolhimento de livros com temática LGBT para o público jovem e infantil que não estivessem lacrados.
Fiscais retornaram aos pavilhões e anunciaram uma varredura à paisana. Funcionários da Seop disseram não ter encontrado nada de irregular na feira.
Decano do STF, o ministro Celso de Mello classificou a censura a livros da Bienal do Rio como "fato gravíssimo".
Na manhã de domingo, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a Bienal funcione sem o risco de "censura genérica" de Crivella.
O presidente do STF, Dias Toffoli suspendeu a decisão judicial que permitia apreensão de livros na Bienal. Em outra decisão, Gilmar Mendes ratificou a liberdade de discurso.
Mais tarde, a prefeitura anunciou um recurso ao Supremo.

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